A sépia

No campo, sentada, à espera com todo o tempo do mundo, sente o silêncio voltar. Nesse prado, forjado com plantas forraginosas, cheio de herbáceas que assobiam ao som do vento que vem na sua direcção. Ao tocá-las sente a sua delicadeza, sente a sua elegância e a sua tenra idade, a infância. Em tons de sépia, nada muda. As emoções são as mesmas, a sua companhia continua inigualável a qualquer outra e o sangue percorre-lhe o corpo com a mesma velocidade. Contudo, sente as suas arritmias mais estonteantes. Essas não desaparecem e estão cada vez mais petulantes. «Estará na hora?» questiona-se. Ou será a cura que apraz a sua companhia ou será a companhia que apraz a sua cura? – Acalentara o escritor…

Em pleno momento ocioso, a reflexão está em sintonia e ambos concordam com uma coisa: “no campo o tempo é longo, lento e fogoso, ao contrário do tempo da cidade que mal nos deixa respirar”. O escritor, intrometediço: «estão a falar do tempo ou de vocês os dois?». Tanto faz. Os sentimentos são muito rápidos e convém aproveitá-los ao máximo, no momento. Temos a sorte de nos exprimir livremente e, ao mesmo tempo, de comunicar com quem nos pinta… Mesmo em tons de sépia.

~ por Fran em Novembro 11, 2009.

4 Respostas to “A sépia”

  1. é por estas e por outras que eu vou casar ctg.

  2. Adorei.

  3. :)

  4. Palavras de um futuro escritor e best-seller nas livrarias :)

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